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SJM: há 90 anos participando da construção de Joinville

 

SJM

A Sociedade Joinvilense de Medicina – SJM – comemora nesta quarta-feira, dia 24 de fevereiro, 90 anos de fundação. Como a entidade médica mais antiga do Estado e uma das mais antigas do Sul do País, a entidade realizará uma série de eventos ao longo de 2010, visando aproximar ainda mais a entidade da sociedade, divulgando seus feitos ao longo destas nove décadas e ao mesmo tempo homenageando as pessoas que ajudaram a construir esta história. 

Como primeira atividade desta programação, será realizada uma sessão solene na Câmara de Vereadores de Joinville, indicada pelo presidente da casa, o vereador Sandro Silva. O evento acontece nesta quarta, dia 24, a partir das 19h30min, na plenária principal da casa, com coquetel festivo após o evento, que encerra às 2oh30min.

De acordo com o atual presidente da SJM, o radioterapeuta Ricardo Polli, o objetivo desta sessão é valorizar a história, reverenciando a memória dos abnegados médicos que enfrentaram dificuldades, tiveram que lutar para poderem desempenhar sua profissão de uma forma digna, buscando junto à sociedade a solução para os problemas que de forma recorrente e cíclica impedem ou atrapalham o exercício de uma medicina de qualidade. “Muitos dos problemas que os colegas médicos que nos antecederam na SJM, seja ocupando um cargo de diretoria ou como associado, enfrentaram, acabam se repetindo. Um exemplo é sobre a saúde pública, que antes do SUS enfrentava problemas de toda a sorte e que atualmente, com recorrente falta de recursos, boas condições de trabalho e baixos salários, acabam trazendo dificuldades aos profissionais e consequentemente à população, que ressente-se com a falta ou grande dificuldade de atendimento em muitas especialidades”, avalia.

Além da sessão solene, a SJM está preparando uma exposição de fotos e informações que traçam de forma objetiva a trajetória dos médicos nestes 90 anos, que serão apresentadas através de banners. Este material irá percorrer de forma itinerante espaços de grande circulação de público, como os shoppings centers, hospitais e locais públicos. “Estamos finalizando este trabalho para montarmos um calendário para estas exposições, onde a comunidade poderá conhecer detalhes bem interessantes desta história”, acrescenta.

Para o segundo semestre deste ano também está previsto o lançamento do Guia Médico dos associados da SJM e prestadores de serviços de saúde. A primeira edição foi lançada nos 80 anos da entidade. Um calendário festivo a ser distribuído aos associados e seus parceiros é outro projeto em andamento. Na Semana do Médico, comemorada em outubro próximo, será realizado o tradicional Baile da Esmeralda, que neste ano será ainda mais especial, pois encerrará as comemorações dos 90 anos. Nesta oportunidade, além da cerimônia da “Prata da Casa”, que homenageia os médicos com 20 a 50 anos de profissão, serão destacados os associados mais antigos da casa.

presidente da SJM, o radioterapeuta Dr. Ricardo Polli, o objetivo desta sessão é valorizar a história, reverenciando a memória dos abnegados médicos que enfrentaram dificuldades, tiveram que lutar para poderem desempenhar sua profissão de uma forma digna, buscando junto à sociedade a solução para os problemas que de forma recorrente e cíclica impedem ou atrapalham o exercício de uma medicina de qualidade - Foto: Tayane Pereira/Divulgação
Ricardo Polli: “o objetivo desta sessão é valorizar a história, reverenciando a memória dos abnegados médicos que enfrentaram dificuldades, tiveram que lutar para poderem desempenhar sua profissão de uma forma digna, buscando junto à sociedade a solução para os problemas que de forma recorrente e cíclica impedem ou atrapalham o exercício de uma medicina de qualidade” - Foto: Tayane Pereira/Divulgação

A SJM E SUA HISTÓRIA

No dia 24 de fevereiro de 2010, há exatos 90 anos, seis médicos atuantes na cidade, reuniram-se para fundar a Associação Médica de Joinville, ocupando uma das salas da Sociedade Harmonia Lyra. Doze anos mais tarde a entidade passaria a chamar-se Sociedade Joinvilense de Medicina – SJM.

As pessoas eram tratadas, operadas e salvas como uma intensidade bem maior do que no início do século. Mãos habilidosas não faltavam em Joinville. A milagrosa penicilina ainda não era utilizada para salvar milhões de pessoas em todo o mundo, pois apesar de descoberta neste mesmo ano, ainda estava em caráter experimental e não era utilizada para o uso humano.

Este era o cenário que levou este grupo a ter uma visão de futuro, no intuito de reunir forças, somar experiências e buscar soluções para a pacata Joinville, ex-Colônia Dona Francisca.  O senhor do tempo foi impondo mudanças e neste clima de crises e desenvolvimento, foi reavivada a experiência do associativismo, com a nova denominação SJM em 1932, vindo a funcionar na sede do “Club de Joinville”, onde hoje está instalada uma das lojas da Casa Sofia, no centro da cidade, na esquina da Rua do Príncipe com a Padre Carlos.

Como Diretor de Higiene, cargo hoje equivalente ao de Secretário Municipal de Saúde e Diretor do Hospital de Caridade (atual Hospital Municipal São José), o médico Plácido Gomes de Oliveira foi eleito nesta nova fase o primeiro presidente da Sociedade Joinvilense de Medicina – SJM.

Como um dos primeiros assuntos desta reunião inaugural foi tratado sobre a realização do Curso de Enfermagem. Dizia Plácido neste encontro que a necessidade era imensa, pois as irmãs de caridade não saíam do hospital para outros atendimentos e não restava outra solução do que a criação de cursos com pessoas da própria comunidade, interessadas em ajudar o próximo e ao mesmo tempo ter uma profissão.

A ligação da SJM com os problemas da cidade, sobretudo os da área da saúde sempre foi muito estreita. Em 9 de junho de l960, em sessão extraordinário, a SJM recebia a visita do prefeito municipal, Senhor Baltazar Buschle, que apresentava para discussão e possível aprovação pelos médicos da nova planta do Hospital Municipal São José.

No final da década de 60, os Institutos de Previdência continuavam a criar muitos problemas, impedindo a livre escolha dos médicos, emperrando internações e criando uma imensa burocracia em torno do atendimento médico. Este processo passou por muitas lutas nos anos 70 e 80, culminando com o surgimento do SUS nos anos 90.

Também neste período, numa organização encabeçada pelo médico pediatra Jeser Amarante Faria, que chegou a cidade em 1945, buscava-se a valorização da especialidade pediatria. Em 1968 foi criada a primeira unidade pediátrica da cidade no Hospital São José. Entre os anos 80 e 90 tambem surgiram novos serviços de pediatria no Regional com 36 leitos e um pronto-socorro e posteriormente nos serviços de emergência da UNIMED e no Hospital Dona Helena.

Estes trabalhos plantaram a semente para um novo desafio e um sonho do pediatra, de ter um hospital especial público, voltado somente às crianças e adolescentes, sonho que tomou forma em 1994. Neste ano, foi formada a comissão pró-hospital infantil, que começou a mobilizar diversos segmentos da sociedade. A construção iniciou em 1997, sob os cuidados do governador Paulo Afonso Vieira. As obras continuaram no governo de Esperidião Amim e foram concluídas em 2006, no mandato do governador Luiz Henrique da Silveira.

No ano de 1971, Joinville contava com 36 médicos de várias especialidades. Quatro anos depois, numa assembléia histórica da SJM,  Mário Nascimento,  membro do Conselho Deliberativo do Hospital São José, falou sobre a ampliação física da instituição, que passaria a contar com 600 leitos.

Com uma grande proposta e 31 médicos, em 21 de setembro de 1971 nascia a Unimed Joinville, cuja filosofia se enquadrava na idéia de cooperativismo, pelo qual o médico poderia dirigir os destinos da própria entidade sem a ação de intermediários. Depois de perder clientes e reestruturar-se, criando na década de 90 um Pronto-Atendimento aos seus usuários, a Unimed Joinville voltou a experimentar forte crescimento a partir de 1997. No ano seguinte lançou a pedra fundamental do Centro Hospitalar Unimed, conhecido como CHU.

Este hospital, reconhecidamente um dos mais modernos do Sul do País, foi inaugurado no dia 8 de março de 2001. Conquistou logo no seu segundo ano de existência o título de Acreditação Hospitalar, nível 2, onde a qualidade total na prestação de serviços humanizados revela-se como um desafio constante. O CHU já tem no planejamento estratégico a criação de novos serviços e a construção de mais uma torre, ampliando o espaço físico.

Entre os anos de 1983 e 85, na gestão do médico psiquiatra Rui Arsego, a SJM desenvolveu um amplo trabalho médico-social, ligando a classe médica a uma participação ativa e decisiva para o destino dos médicos joinvilenses. Com o início da Comissão de Convênios, foi criada a Consulta Social, que estendia o atendimento médico a todos os assalariados, autorizando o médico a cobrar a consulta por um preço abaixo da particular.

Foi também em 1984, ou seja, três anos depois de lançada a pedra fundamental, que foi inaugurado o Hospital Hans Dieter Schmidt com uma área de 22 mil metros quadrados, capacidade inicial para 264 leitos. No entanto, o início foi modesto, com 20 leitos sendo ativados, além de ambulatório e serviço de diagnóstico.

Em março de 1987, a SJM realizou um encontro histórico junto à ACIJ, com objetivo de expor a crise da saúde, a paralisação do atendimento à previdência, não só em Joinville, mas em todo o Brasil. Após 15 meses, sem qualquer reajuste, os anestesistas, de forma corajosa, romperam com o INAMPS, cobrando daqueles que podiam pagar e não cobrando dos miseráveis. Atitude corajosa e digna, tendo sido este movimento um marco para a medicina em todo o Brasil, a qual se utilizou do exemplo de Joinville para alavancar o movimento nacionalmente.

Cinco meses depois, em disputadíssima eleição para a presidência da SJM, foi eleito o médico anestesiologista, Altair Carlos Pereira. Um dos assuntos de maior discussão era a crise nas UTIs, por absoluta falta de condições mínimas de trabalho. Após muita discussão e pressão política, os problemas foram resolvidos, tanto no São José, como no Regional.

Dentre as mais importantes ações desta gestão, estavam a valorização do Clube de Campo As Carpas, sede social da SJM. Além disso, a luta pela valorização do trabalho médico, também devido à participação contínua da entidade nos conselhos da UNIMED e Secretaria Municipal de Saúde.

Uma crise assolaria a entidade em 89, com a vinda do Saúde Bradesco em função de desentendimentos da classe médica com a classe empresarial. Coube ao presidente da SJM, Luiz Antônio de Araújo, buscar o bom relacionamento entre os médicos e a seguradora.

Depois de passar por várias salas e endereços, a SJM buscou sua sede própria. Isto aconteceu em 14 de outubro de 1992, na gestão de Antônio Greppe, onde Harald Karmann descerrava a placa inaugural e passava a classe médica a ter um espaço independente, um foro de debates livre e desatrelado. Foi adquirida uma casa central, na Rua General Sampaio, número 34, perto do Hospital Municipal São José, onde ainda hoje funciona a entidade. 

Em 1993, assumiu a presidência da entidade, Iberê Pires Condeixa, que realizou importante trabalho no que diz respeito à relação da SJM com as seguradoras. A maioria dos convênios na época pagava a tabela em vigor proclamada pela Associação Médica Brasileira, mas a maior seguradora recém-chegada, não o fazia. Após inúmeras negociações e duas curtas paralisações do atendimento, esta seguradora cedeu. 

Com um grupo afinado e muitas idéias de mudança, em 1995, foi eleito como presidente da entidade o gastroenterologista Francisco Amaral. Em sua gestão lançou o jornal Correio Médico, elevando o nome da SJM como uma entidade de respeito nacional.

Em 1996, organizou-se o “I Congresso Saúde SUS Século XXI”, que foi um grande sucesso. Joinville recebeu espaço em toda a mídia nacional e atenção de todas as entidades médicas de respeito. Para consagração do evento tirava-se mais um documento de forte conteúdo social: a nova Carta de Joinville, que foi lida em plenária e aprovada no mesmo ano, por unanimidade, na 10ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília.

Renovou-se a diretoria em 1997, com a entrada do pediatra Lairton Valentim na presidência, focando esforços para uma atenção maior aos sócios. Redefine-se o jornal “Correio Médico” para uma abrangência regional e a SJM começa a tornar-se não só uma sociedade de médicos, mas uma empresa prestadora de serviços à classe médica, redefinindo os rumos da entidade, visando o século XXI.

Entre as mais importantes ações desta gestão estão a retomada da Consulta Social, num novo formato e como uma alternativa para a classe médica e para a população, lançamento do Guia Médico da SJM e na comemoração dos 80 anos da SJM, em 2000, de intensa programação festiva e científica. Também neste período foi lançado o livro “Joinville, Seus Médicos e Sua História”, de autoria do médico Lairton Valentim. A história da medicina é resgatada e valorizada.

O reconhecimento e adoção da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) foi uma das grandes lutas da SJM entre os anos de 2005 a 2008, buscando melhor remuneração junto aos convênios médicos. Neste período Joinville sediou na gestão do Dr. Hudson Gonçalves Carpes a realização do COSEMESC – Conselho Superior das Entidades Médicas do Estado de Santa Catarina, com um fórum de discussões envolvendo todas as entidades médicas do Estado: Sindicato dos Médicos, CREMESC e Associação Catarinense de Medicina (ACM).

Além da continuidade da luta pela CBHPM, o novo presidente da entidade, Conrado Hoffmann, na gestão 2005 a 2008, também encabeçou a luta pelo reconhecimento do Ato Médico, numa valorização do profissional. Além disso, a busca de espaços para que os profissionais médicos estivessem acompanhando mais de perto os destinos da saúde pública.

Também foi considerado um período de fortalecimento da SJM, que recebeu muitos sócios que retornaram para a entidade. Em outubro de 2008 assumiu a presidência da SJM o médico radioterapeuta, Ricardo Polli, que já vinha integrando a diretoria há pelo menos três gestões, tendo passado pelos cargos de Primeiro Secretário, Tesoureiro e Vice-Presidente. Foi nesta gestão que pela primeira vez na história da entidade uma mulher assumiu a vice-presidência, a médica especialista em Saúde da Família, Martha Artilheiro.

O fortalecimento da entidade, melhores condições de trabalho e uma remuneração mais adequada na saúde pública, de forma a manter o médico motivado a atuar na rede. Estas são algumas metas permanentes da atual gestão, além da união e fortalecimento da classe. Para isto, a SJM tem buscado estar presente na sociedade, integrando as diversas comissões e conselhos das entidades de saúde, de maneira a participar ativa e diretamente dos destinos da saúde de Joinville.

* Simone Vieira, assessora da SJM, com informações históricas do Livro “Joinville, Seus Médicos e Sua História” de autoria do médico pediatra Dr. Lairton Valentim, do livro “Joinville, a construção da cidade".